Iconografia pachecal
16.12.2011

Luiz Pacheco visto, respectivamente, por João Rodrigues em 1964 (in Jornal de Letras e Artes), Benjamim Marques em 1965 (o “grupo do Gelo”, em que Pacheco é o segundo a contar da esquerda, in Diário de Angola), Henrique Manuel em 1977 (in Textos Malditos, edição Afrodite/Fernando Ribeiro de Mello) e Manuel João Ramos em 1992 (in revista K). As duas primeiras imagens são retiradas da biografia de Luiz Pacheco Puta que os pariu! de João Pedro George (Tinta da China).

“Monstrozinhos insidiosos”
06.07.2010

No volume Luiz Pacheco/Contraponto, tal como escrevi aqui, sente-se a falta de mais informação sobre os designers ou artistas gráficos com que o editor e escritor privou e com os quais trabalhou na produção dos seus livros. Em alguns dos textos reunidos nos dois volumes de Textos de Guerrilha, Pacheco deixa sentidos testemunhos da convivência com Fausto Boavida e João Rodrigues, os seus “marginais” favoritos. Este último, que se suicidou em 1967, chegou a fazer a capa para a primeira edição de Crítica de Circunstância, publicado pela Ulisseia em 1965, capa essa que aparece reproduzida no livro/catálogo publicado agora pela Leya/BN.

Rodrigues, muito próximo da geração de surrealistas portugueses do pós-guerra, terá sofrido, a nível criativo, dos mesmos males de Pacheco e outros nos anos 50 e 60, com apreensões sumárias de livros e censura a cortarem  o desenvolvimento de uma carreira sólida. Em consequência disso, a sua obra dispersou-se e existem raros registos impressos que comprovem o seu muito talento.

Uma das excepções é este volume publicado pela Fundação Cupertino de Miranda, através do seu Centro de Estudos do Surrealismo, em 2009. Junto com desenhos de outros altos representantes do surrealismo por cá, como Mário Henrique Leiria ou António Maria Lisboa (descoberto, precisamente, por Luiz Pacheco na sua Contraponto), os desenhos de João Rodrigues (os seus “monstrozinhos insidiosos”, como lhes chamou Pacheco) trazem uma lufada de humor refinado, além da sua inegável qualidade de traço, e pedem, sem dúvida, por mais livros, ou pelo menos por uma monografia definitiva. (Muito obrigado ao Tiago Manuel, outro autor de “monstrinhos insidiosos”, pela oferta deste livro).