
O que liga este livro, a primeira edição em Inglaterra (pela Jonathan Cape em 1968) da “Antologia Pessoal” de Jorge Luis Borges, a um dos mais originais e brutais filmes de finais dos anos 60? A obsessão de Donald Cammell, o co-realizador de Performance (1970), por Borges e por esta edição, que por lá aparece em abundância. Uma obsessão com um final inesperado quando, em 1996, Cammell pôs fim a uma carreira falhada no cinema com um tiro na cabeça, após o qual ainda pôde perguntar à sua mulher: “vês a imagem de Borges?” Conto a história e junto as pontas soltas num texto no Clubalice chamado “A casa de Asterion em Powis Square”, que pode ser lido aqui.
“A casa de Asterion em Powis Square”
23.03.2011
Se Borges tivesse pintado as suas bibliotecas
12.03.2010
Conheci Norberto Nunes (pintor português que vive no Rio de Janeiro) há umas semanas, numa reunião de preparação de um livro com pinturas suas sobre o universo de Fernando Pessoa (a sair, se tudo correr bem, no final do próximo Verão). Mais importante, conheci os seus quadros. Disse-me que também pintava “livros”, não percebi bem o que queria dizer e pedi-lhe umas amostras. Quando as vi, pareceu-me estar em presença de quadros que tivessem sido pintados por Jorge Luis Borges das suas bibliotecas imaginárias e infinitas. Alguns dos quadros representam interiores de sebos, as livrarias alfarrabistas brasileiras.
IF BORGES HAD PAINTED HIS LIBRARIES
I met Norberto Nunes (a Portuguese painter living in Rio de Janeiro) some time ago, in preparation for a book with his paintings on Fernando Pessoa, due to come out at the end of next summer. Most importantly, I discovered his work. He told me he painted “books”, I didn’t understand right away what he meant so I asked him for some samples. When I saw them it was as if I was seeing paintings that had been made by Jorge Luis Borges of his imaginary and infinite libraries. Some of these depict the interiors of sebos, the second hand bookshops in Brazil.



