Sebastião Rodrigues

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Ainda com ligação ao post anterior, acabei por lembrar-me onde vi pela primeira vez a capa das 3 tragedies do Alvin Lustig. Não foi nas duas obras da Thames and Hudson ou no livro de Steven Heller, mas sim no Catálogo da Exposição dedicada a Sebastião Rodrigues, que a Gulbenkian editou em 1995, com design de Robin Fior.

Sebastião Rodrigues foi precisamente influenciado pela curta e brilhante obra gráfica de Lustig, que morreu quando a carreira do designer português arrancava, e este espantoso catálogo lembra-nos a tarefa hercúlea de manter uma tão refinada chama de influências (sobretudo à roda do Modernismo americano dos anos 40 e 50) num país tão atrasado e descentrado no tempo. À imagem dos designers gráficos cubanos, checos ou polacos, Sebastião Rodrigues conseguia o fugaz milagre de pôr o país na vanguarda com uma simples capa ou cartaz, sobretudo numa inspecção retrospectiva, que esta obra permite. (Prova A)

Escrever sobre ela lembra-me também que Portugal parece ter esquecido de vez a história dos seus designers gráficos (ou artistas que tiveram ofício nas chamadas “artes gráficas”): fora esta exposição (comissariada por José Brandão, Fernando de Azevedo e Orlando da Costa, e montada no Museu Gulbenkian, cuja Fundação fora um grande encomendador da obra de Rodrigues) e a dedicada a João Abel Manta no Museu Rafael Bordalo Pinheiro em 1992, também em Lisboa (com outro excelente catálogo, desenhado por José Brandão, na Prova B), não me recordo de qualquer esforço dos grandes museus nacionais (sobretudo, do Museu do Design do CCB, agora já fora desse espaço) para começar a expor a criação gráfica feita cá e a trazer as exposições que circulam lá fora. A única excepção a isto foi a grande exposição dedicada a El Lissitsky em Serralves, no Porto, em 1999, e nem mesmo o relativo sucesso dessa mostra fez com que o melhor e maior museu de arte contemporânea português introduzisse o design ou as artes gráficas no seu programa regular.

Prova A
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Prova B
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2 Comments

Filed under Soltas

2 responses to “Sebastião Rodrigues

  1. Onde posso comprar este livro???

    • Olá Mariana! Sinceramente, sendo o mercado de livros “velhos” ou usados o que é (leia-se: não é) por cá, eu tentaria a sorte na própria Gulbenkian. De resto, só fazendo um pouco de “garimpo” nos alfarrabistas. Devo dizer que, juntamente com o catálogo de 1992 sobre a obra de João Abel Manta (de que também tenho um exemplar), é o melhor livro sobre um designer ou grafista português que conheço.

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