Avulsos

1. Enquanto não arranjo tempo para fotografar mais (e melhor) páginas dos 5 primeiros números do Jornal de Letras, concebidos graficamente e ilustrados por João Abel Manta, em benefício gracioso dos que nem sequer sabem quem ele é, aqui fica a referência a uma homenagem que está a ser pensada para os seus 80 anos, a cumprir no próximo dia 29 de Janeiro de 2008. Pelo meio, há um concurso interessante. Esperemos que essa homenagem se estenda, entretanto, para além destas iniciativas individuais. E eis que no último número do JL, um desenho seu (inicialmente publicado numa dessas primeiras edições do jornal de há quase 30 anos) ilustra um texto de Eduardo Lourenço (p. 37). Sem um grão de pó, após estes anos todos.

2. O recente regresso da onda Pop portuguesa dos anos 60, em especial da música do Quarteto 1111 e da fase progressiva de José Cid, coincidiu com um interesse meu (graças ao eBay e à baixa do Dólar…) pela criação gráfica do movimento psicadélico de São Francisco e da costa Leste dos EUA, cujo auge criativo se deu entre 1967 e 1968 à volta de uma mão cheia de artistas gráficos onde pontificava o espanhol Victor Moscoso (em Londres, esse movimento influenciou os cartazes de Michael English e Nigel Weymouth, a dupla Hapshash and the Colored Coat). O motor de toda essa criação era a música, mais particularmente a produção dos inúmeros concertos que animavam essas cidades, e, no caso de São Francisco, os que se davam no Fillmore de Bill Graham.
Escusado será dizer que nada disso por cá passou na devida altura, mas, ao ver o poster de um dos concertos da actual tournée de Cid (numa foto do estúdio de Gimba, o seu manager, no Expresso) não deixo de pensar que talvez se tenha perdido uma boa chance de fazer um grande poster retro psicadélico à-la-Moscoso, o mesmo se passando no caso da capa do livro sobre o Quarteto. Um dos problemas de uma cultura visual coxa é a dificuldade em fazer pastiches certeiros: é como construir pontes para uma outra margem onde não se encontra vivalma para saudar o evento.

3. Nem de propósito: uma interessante discussão sobre os mais icónicos posters, no contexto da autoria e produção de um livro de referência sobre design gráfico a ser editado pela Rockport.  Uma forma muito excitante de editar conteúdo, com aportações de peso entre os comentadores,  tal como uma lista proposta por Art Chantry.

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Filed under Imprensa, Soltas

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