Da treta, de Harry Frankfurt

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Título

Da treta (On bullshit)

Design
Pedro Marques

Autor
Harry G. Frankfurt

Edição

Livros de Areia Editores, 2006

Dimensões
e Impressão
170 x 110 mm, 80 páginas
Publidisa


Descrição

Há umas semanas, “redescobri” este livrinho que lançámos (na Livros de Areia) em Fevereiro de 2006. Digo “redescobri” porque não tenho outro termo para o facto de ele me ter quase “saltado” para as mãos de uma estante numa livraria de Lisboa, e de me ter feito olhar para ele, pela primeira vez, com a atenção e a distância que o tempo permite. E devo dizer que me agradou imenso folheá-lo. Foi com ele (e com o Em busca do Livro de Areia) que entrámos no “circuito”, e não deixa de ser irónico que o cartão de apresentação que se vê na capa tenha agora, em retrospectiva, também esse significado (e eis outra coisa em que também não tinha pensado antes de o “reencontrar”).

O ponto de partida, para os que nunca tiveram a edição original da Universidade de Princeton nas mãos, era espartano, para usar um eufemismo: um ensaio, dentro da escola da filosofia analítica contemporânea, sobre a bullshit, apresentado da forma mais anódina e anti-design imaginável, com uma singela capa cartonada e revestida de tecido, algo que poderia passar por uma agenda em qualquer papelaria. O texto, composto em Minion em corpo grande (certamente 12 pt), corria todo o livro em alinhamento à esquerda (uma bizarria que me seduziu imenso e que decidi reproduzir).

Parti para o design do livro com duas ideias na cabeça: encontrar uma metáfora visual contemporânea para a treta, respeitando os termos em que ela é sintetizada no livro, e fazer algo “à Quentin Fiore”, ou melhor, fazer uma pequeníssima homenagem aos livros que Quentin Fiore desenhou para os textos de Marshall McLuhan, sendo The Medium is the Massage (1967) a referência perene.

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Para além do carácter genial e inspirador desse livro, como autodidacta sempre me fascinou que tivesse caído nas mãos de outro autodidacta a tarefa de traduzir e sintetizar visualmente uma das teorias da comunicação mais influentes e proféticas do último século (e continuo a achar que, por muito meritório que seja, o trabalho posterior de David Carson sobre os textos de McLuhan não supera o de Fiore)

Na capa, e tentando abordar uma representação da bullshit, não conseguia deixar de pensar nesta cena de American Psycho, de Mary Harron (2000):

O uso do cartão pessoal como mediador da identidade e, finalmente, como substituto de qualquer tipo de comunicação verbal articulada e coerente pareceu-me uma metáfora perfeita (servindo-me de leitmotiv para as páginas introdutórias, com a caixinha de cartões fechada e depois aberta, mostrando o cartão da capa – Prova A e Prova B). Além disso, resolvia o problema da colocação da tipografia dentro de uma moldura “clássica”, respeitando de certa forma a (boa) ideia da edição original.

Prova A
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Prova B
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A parte “à Fiore” decidi reservá-la para um pequeno “prólogo” de 4 páginas, ilustrando um estranho diálogo entre Ludwig Wittgenstein e uma amiga convalescente, e cuja dissecação leva Frankfurt ao cerne da sua teoria da treta. Trata-se de um pequeno momento absurdo e desconexo (e que tentei traduzir visualmente dessa forma), que trará a recompensa do reconhecimento ao leitor paciente e atento (Prova C e Prova D). A mesma veia absurda e secamente humorística está nas duas páginas ante-finais, em que a figura de cabeça fumegante da capa está agora na televisão e uma das mensagens mais fortes do texto aparece num telegrama da Western Union dos anos 40 (Prova E).

Prova C
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Prova D
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Prova E
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Filed under Capas, Da casa

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