Enola Gay no “Barco do Amor”

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Depois de ver este filme ontem, no seu dia de estreia, quase nem é mais preciso ir mais ao cinema no resto do ano. A dieta proposta pelo circuito comercial é de tal forma pobre (basta o cartaz de cinema de Lisboa, o maior do país, como prova) que algo como Valsa com Bashir de Ari Folman tem o mesmo efeito que os filmes da Última Sessão de Sábado na RTP tinham quando era adolescente: o de uma benção que se agradece de mãos juntas e se guarda na memória. O trabalho de som, a cor, a perfeita fusão entre o grafismo e a fotografia e uma ou duas cenas de antologia (o “barco do amor” usado para a invasão do Líbano onde os soldados adolescentes ouvem Enola Gay pela noite dentro ou os cavalos moribundos no hipódromo de Beirute, por exemplo) inscrevem este filme no raro panteão dos que conseguiram transmitir a experiência da guerra como um misto de deambulação onírica e horror concreto e imediato (a ele se podendo juntar Vem e Vê de Elem Klimov, Kanal de Wajda ou Full Metal Jacket de Kubrick). E será que Folman “descobriu” a forma que poderia ter um filme “definitivo” sobre a Guerra Colonial em África?

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