Maquettes

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Procurando temperar a dieta anglo-americana, uma busca semi-aleatória levou-me à descoberta de algumas excelentes capas francesas dos anos de 1940 a 1960, e a outros nomes para além do de Robert Massin. A bibliografia sobre o graphisme ou os métiers graphiques aplicados ao livro é compreensivelmente escassa (e cara), no meio da avalanche de oferta de livros sobre o design gráfico nos EUA e em Inglaterra. Mesmo sobre Massin (que descobri há anos e de que cheguei a ter um exemplar da 1.ª edição da Grove Press de The Bald Soprano de Ionesco, o seu trabalho mais referido e lembrado), exceptuando o excelente mas caro volume de Laetitia Wolff para a Phaidon, os livros disponíveis são raros (até a edição da Pyramyd de Philippe Apeloig é esquiva, apesar de alguns livros dessa colecção estarem pelas FNAC). Mas nada é impossível e por esses baús na internet se encontra alguma bibliografia e até exemplares dos trabalhos desses designers, esses sim bem mais acessíveis, sobretudo as edições para os clubes do livro concorrentes nos anos 50 do século passado, o Club des Libraires de France e o Club Français du Livre.

Este foi um período que antecedeu o boom do livre de poche em França, e, tal como já tinha indicado no caso da edição de Ficção Científica nos EUA, parece ter havido aqui uma deliberada vontade de desbravar terreno gráfico num contexto de edições de “clube de livro”, com alguma “nobreza” extra-comercial e bons orçamentos de produção (logo, permitindo mais soltura aos designers), e, sobretudo, de colocar o design editorial francês ao nível do americano, a referência máxima para os hardbacks nesses anos (noto aproximações, por exemplo, entre a capa de Massin para Le Salaire de la Peur de 1953 – Prova A – e a capa de Paul Rand para The fervent Years de Harold Clurman, de 1950 e para a Knopf, que se pode ver em By Its Cover, p. 55).

Prova A
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Muito dificilmente os grafistas pós-68 chamariam a isto graphisme de papa (e daí talvez chamassem…): a pompa a que este tipo de edição de clube “luxuosa” e “limitada” se presta estava controlada por puro génio visual e, sobretudo, tipográfico (Prova B, mais uma vez de Massin).

Prova B
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Ocasião para descobrir capas admiráveis (as que aqui mostro são uma ínfima parte do que por aí circula entre os alfarrabistas) de Pierre Faucheux (Provas C e D, respectivamente para as edições de Le Facteur Sonne Toujours Deux Fois e Memoires d’Hadrian), o mestre de Massin e talvez o “Paul Rand francês”, o homem em cujo trabalho o graphisme mudou de figura para sempre. A capa que encima o post, positivamente deliciosa, para a edição de 1955 de Typhon de Joseph Conrad, tem maquette de Claude Bonin.

Prova C
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Prova D
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O meu interesse pelo design de livros alemão e da ex-Checoslováquia embate, infelizmente, na barreira linguística (no caso dos checos, os poucos livros que haverá sobre o tema serão em checo, ainda que os objectos originais dessas produções nacionais estejam acessíveis pela internet, sobretudo através de excelentes alfarrabistas). No caso francês, e dadas estas recentes descobertas, estou certo de que o pouco que por aí encontrei de bibliografia me vai saber bem.

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