Duas boas razões para aprender alemão

Dois livros e, entre inúmeros outros, dois temas que justificariam uma urgente aprendizagem do alemão.

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A Twen, de que soube há quase 20 anos pela história do design de revistas de William Owen (publicada na GG), seria um fenómeno especificamente alemão não fosse a sua enorme qualidade (sobretudo até meados dos anos de 1960) tê-la feito atravessar as fronteiras geográficas e temporais, estando lado-a-lado com as revistas francesas de moda ou congéneres inglesas como a Town ou a Nova, as quais foram até algo influenciadas pelo seu grafismo. Uma revista para jovens adultos que desde o seu início se definiu mais pelo trabalho de layout cuidado e sofisticado de Willy Fleckhaus do que propriamente como mero catálogo glossy e pop de foto de reportagem e de moda (apesar de por lá terem passado grandes fotógrafos, com destaque para Will McBride, e mesmo grandes ilustradores como Hans Hillmann ou Heinz Edelman). O ritmo com que as fotografias são dispostas nos spreads e a palpável noção de contraste de densidade e escala são as famosas marcas de Fleckhaus, que desenhou inúmeros livros para a Suhrkamp mas que teve aqui, nos anos certos e com os temas certos, o seu passaporte para a consagração. Pouquíssima (nenhuma mesmo) bibliografia em inglês sobre o seu trabalho e sobre a Twen, pelo que os 5 euros que gastei na Amazon alemã por este Twen – Revision Einer Legende (Revisão de uma Lenda, presumo) de Michael Koetzle (330 p., Munchner Stadtmuseum, 1995) compensam a sensação de analfabetismo total com verdadeiro prazer visual.

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Mais um fotógrafo e fotocompositor do que um colagista na tradição surrealista como o seu homónimo Herbert Bayer, fica claro, mesmo nos exemplos em menor escala (como os que vi na Concise History de Hollis) que Herbert Matter trabalhava mais a partir da câmara de revelação (e da própria máquina) do que do estirador.

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As suas imagens eram, sem dúvida, trabalhadas ao pormenor (pode ver-se na mudança da 1.ª para a 2.ª versão do famoso cartaz turístico suíço de 1935), mas há ali uma aceitação dos acasos da refracção lumínica e da disposição das sombras (e mesmo da própria revelação) que é muito atraente, e que faz de todo este portfolio (pelo menos, do que eu conheço dele) uma permanente fonte de inspiração e prazer, sem um grão de pó após quase 80 anos. Além disso, o seu uso da tipografia era em função desses ritmos visuais, dando aos seus cartazes e outros trabalhos uma unicidade orgânica, mesmo quando usando fontes “grotescas” e um imaginário que remetia para as máquinas e os produtos do labor destas. Esta edição da Lars-Muller de 1995 (composta na mais rigorosa grelha suíça e, claro, apenas em Helvetica), adequadamente subtitulada Uma forma de ver o tempo, concentra-se apenas no trabalho foto+gráfico anterior à sua ida para os Estados Unidos no final dos anos 30, mas o que pude ver das suas posteriores composições para a Fortune e inúmeros anúncios para a imprensa americana revela uma continuidade na fluidez adquirida nestes anos cruciais. Alguns dos spreads neste livro são magníficos e, bem à suíça, a Lars Muller sabe “calar” o texto quando este estaria a mais. E outra pechincha na Amazon alemã, contornandos os preços exorbitantes nas congéneres americana e inglesa.

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