B for Bettler

Graças ao Paulo Pereira, que leu o meu comentário no Ressabiator, chegou-me finalmente aos olhos, via email, o artigo de Christopher Wilson da Dot Dot Dot (já mencionado aqui) sobre um tal Ernst Bettler, um designer gráfico suíço do pós-guerra que, no final dos anos 50, teria denunciado um cliente (uma farmacêutica com um passado secreto de colaboração com os Nazis) da forma mais subtil: através dos próprios cartazes encomendados. O estilo não é tão narrativo como julguei, usando antes a forma da entrevista montada, o que acrescenta à saborosamente perversa essência do texto, pois Wilson costuma fazer este tipo de entrevistas para a Eye. Perversa porquê? Porque, como diria Welles no final do episódio de Picasso em F for Fake, nada do que o leitor leu a partir da primeira linha do texto é verdade. Uma fantasia soberba sobre um designer suíço (leia-se, obcecado pela norma e a ética) que cria uma carreira sobre a possibilidade de subverter as encomendas e denunciar a corrupção e a estupidez dos clientes.
A propósito: uma exposição sobre a Dot Dot Dot vai abrir na Culturgest do Porto,  a partir do dia 25 de Abril.

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