Duas memórias

Duas memórias de Vasco Granja. Algures por 1975 ou 1976, vi pela primeira vez o “efeito” de um tiro em alguém graças a ele. Passara um ano em Luanda a desenhar kalashes na creche (o símbolo omnipresente na Angola pós-revolucionária), mas não sabia ainda o que acontecia depois do disparo. Numa curtíssima animação que vi certa tarde desse primeiro ano em Portugal, um homem era sugado para dentro do cano de uma enorme Smith & Wesson ’38. (Mais tarde, graças a uma matinée de Domingo, complementei a instrução.) Granja foi, assim, e durante muitos anos, o “traficante” de pequenos apontamentos absurdos de Domingo à tarde e, quando a vontade de conhecer chegou, de excertos do que de melhor se fazia na vanguarda da animação pré-CGI. O “cromo” Koniec é injusto e peca por defeito: Granja fez-nos o favor de mostrar quase tudo o que de bom se fazia no outro lado da Cortina de Ferro, mas mostrou também muitos holandeses (Paul Driessen nunca mais esqueci, e só o vi nos programas dele), cubanos e quase todos os melhores canadianos, anglo e francófonos.

A segunda memória estava pelos recortes dos textos dele n’ O Diário de inícios dos anos 1980: um pequeno pormenor a preto e branco de uma vinheta (vim eu a descobrir mais tarde) de Le Garage Hermétique de Moebius, uma imagem fascinante encontrada uns bons anos antes de eu saber sequer quem era Moebius.

Leave a comment

Filed under Soltas

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s