Jorge Alvarez, editor

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Descoberta curiosa, a partir do interesse pela história e a figura de Rodolfo Walsh, assassinado em Buenos Aires em 1977, em plena rua e a mando do Almirante Massera, e de que li o dramático relato dos últimos dias de vida em Shock Doctrine de Naomi Klein. Walsh fora um autor, tradutor e antologiador prolífico, e um dos nomes do catálogo de uma não menos lendária pequena editora de Buenos Aires, que levava o nome do seu fundador, Jorge Alvarez.

Pelo que posso constatar, de 1963 a 1969 a editora de Jorge Alvarez foi uma espécie de Grove Press argentina, com a correspondente qualidade gráfica. Autores de topo ou em início de carreira, como Puig, Carpentier, Arlt, Vargas Llosa, misturados com cartoonistas como Quino (uma descoberta absoluta de Alvarez), por este catálogo e pela excelência das suas capas se pode ver o dinamismo pluralista e cosmopolita da cultura argentina dos anos de 1960, mas também pelas capas se sente, em surdina, o anúncio de um tempo de sombra e morte em meados da década seguinte. Morte que, além de Walsh, chegaria também a Héctor Oesterheld, o argumentista da série de BD El Eternauta e de um álbum (que o “condenou”) publicado pelo mesmíssimo Alvarez, La Vida del Che de 1968 (ambos com Alberto Breccia). Alvarez, talvez antecipando essas sombras, fechou a editora no fim da década de 60 e dedicou-se à edição musical, escapando à onda de horror dos anos 70 e acabando, como muitos argentinos, por se refugiar em Espanha.

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JORGE ALVAREZ, PUBLISHER
Led by the interest in Rodolfo Walsh‘s story, a journalist murdered in the streets of Buenos Aires in 1977 by Admiral Massera’s soldiers, and whose dramatic last days are suitably recounted in Naomi Klein’s Shock Doctrine, I found this very interesting Argentinian publisher. Walsh had been a prolific writer, translator and editor, and was one of the many names in Editorial Jorge Alvarez‘ catalogue, a now legendary small publisher in Buenos Aires. From 1963 to 1969, it appears to have been a sort of Argentinian Grove Press, mixing top and very new south-American writers (like Carpentier, Puig, Arlt and Vargas Llosa) with hip young cartoonists (like Quino, which JA discovered) and showing, by its catalogue and the excellence of its covers, how diverse and cosmopolitan Argentinian culture was in the 1960’s. However, and quite eerily, its covers also allow an anticipatory glimpse of the coming shadows and death, which indeed came, besides Walsh and many many others, to Hector Oesterheld, the scriptwriter of Argentina’s most famous SF comics, El Eternauta, and also the author of La Vida del Che in 1968, the album (published by the very same Jorge Alvarez and produced, as always, in close collaboration with artist Alberto Breccia) that made him a target to the right wing Junta. Apparently sensing the changing of the times, Alvarez closed the book publishing house and started a business in music publishing, surviving the horror of the 70’s and ending up, like so many Argentinians, in Spain, where he still lives.

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