Portugal, versão Push Pin

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O equivalente no design gráfico aos “super grupos” de música rock ou pop do final dos anos de 1960 e inícios de 70 era, indiscutivelmente, o colectivo Push Pin. Tão indiscutível era esse estatuto que o Museu das Artes Decorativas de Paris decidiu albergar uma exposição dos trabalhos dos membros do grupo (na altura, alguns deles tinham já carreiras “a solo”), onde pontificavam nomes como os de Milton Glaser, Seymour Chwast, Paul Davis, Sam Antupit ou Edward Sorel. O catálogo “oficial” foi publicado pela revista Communication Arts em 1970 (a edição original vinha com uma caixa, mas o exemplar que possuo, comprado a baixo preço, não a trazia) e é, até hoje, um dos poucos livros com amostras desse portfolio que não se limitam às das suas “estrelas”, Glaser e Chwast.

Esta é, pois, uma pequena “bíblia” do estilo ecléctico e historicista do grupo, feito da amálgama cuidada dos “dejectos” do Modernismo, ou seja, de tudo aquilo que a onda modernista tinha varrido para as margens do design gráfico, uma síntese que teve o sucesso conhecido: em 1970, Push Pin era quase sinónimo de “americano” no que tocava ao grafismo comercial.

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A abrangência do estúdio Push Pin era tal que, a páginas tantas (o catálogo não é paginado, se bem que a maior “falha” seja a ausência de datação dos diferentes trabalhos exibidos), até uma vinheta alusiva a Portugal aparece. Nada de alusões políticas (na onda mais radical dos cartazes de Chwast), apenas um cliché de uma vila piscatória encimada pela bandeira, num trabalho feito para a brochura de um laboratório (teria Reynold Ruffins, o seu autor, visto alguns dos trabalhos de Sebastião Rodrigues para o SNI?). Ruffins, diga-se à laia de curiosidade e como prova dessa diversidade do estúdio, era um dos dois únicos afro-americanos do grupo (o outro era Loring Eutemey).

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(Livros trazem livros: a grande descoberta neste livro foi a de Word Rain de Madeleine Gins (publicado pela Grossman em 1969), um livro “experimental” a que Sam Antupit aplicou (pelo que se pode ver na amostra) algumas das soluções de Quentin Fiore para The Medium is the Massage mas de uma forma incrivelmente depurada. A procurar no baú.)

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Filed under Livros, Soltas

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