Gare à la bête

Com o embalo do texto que escrevi para o próximo número da revista Bang, publicada pela Saída de Emergência, com o título Nova vaga, novas capas e que versa sobre o portfolio renovador de capas de Ficção Científica (ou Ficção Especulativa, como então foi moda dizer-se) de algumas editoras americanas e inglesas entre meados da década de 1960 e os inícios ou meados da década seguinte, pus-me a pesquisar portfolios de outras paragens dentro do género por esses anos. A capa em cima encontrei-a pelo método que mais me apraz praticar no ebay, o da pura casualidade. É da edição francesa de 1976 de The Atrocity Exhibition (La Foire aux Atrocités) de J.G. Ballard, publicada pela Champ Libre na sua colecção Chute Libre. A continuação da pesquisa levou-me a este site, onde pude encontrar quase todo o portfolio das capas desta série de FC que durou entre 1974 e 1978. A Champ Libre, fundada por Gérard Lebovici (assassinado em circunstâncias misteriosas em 1984) era uma editora radical, nascida dos événements de 1968, e, como muitos projectos editoriais movidos por esse espírito e por esses anos, parece que soube aliar um gosto visual ímpar à publicação de livros “difíceis”. Dentro do tipo de portfolios que procuro, ou seja, dentro da possível heterodoxia gráfica num género sempre tão conservador, estas capas da Champ Libre são do mais inesperado que pude encontrar. (Para além da questão das vendas, presumo mesmo que o fim da colecção poderá ter tido algo a ver com o arrojo de algumas delas….).

 

É de notar que os editores recorreram aqui à oferta de grande qualidade de ilustradores vindos ou ligados ao universo da BD francesa nesses anos, que são já anos pós-Pilote ou Métal Hurlant, revistas que criaram uma concentração de grandes desenhadores por metro quadrado ímpar em todo o mundo. Não é pois de admirar ver duas capas de Moebius (e que capas!…), e uma de Jacques Tardi (Le Bal des Schizos), antes deste se tornar um dos autores de referência da revista À Suivre.

Uma outra série publicada por outra editora pela mesma altura, a Contre Coup da Sagittaire, parece ter recorrido à mesma estrutura de layout e contenção tipográfica, ainda que preterindo a ilustração em favor do tratamento e tintagem de fotografias. É o mesmo programa de “choque” visual, mas com alguns excelentes resultados.

In English soon.

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