Category Archives: Eventos

No dia 21, a dar ao dente pela Afrodite

No dia 21 de Maio, às 21:30 horas, na livraria “Sr.Teste/Ennui” da Guilherme Cossoul (a Santos), vai-se lembrar a Afrodite e Fernando Ribeiro de Mello, nos 50 anos do início das publicações daquela chancela com o Kamasutra e, em Dezembro de 1965, a Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica. A sessão terá o título genérico de “Mais do que um editor na banheira: celebrando os 50 anos da Afrodite”. O Vitor Silva Tavares vai estar comigo a dar ao dente pela Afrodite, e eu mostrarei detalhes do meu livro Editor Contra: Fernando Ribeiro de Mello e a Afrodite, que, se tudo correr bem, conto ter cá fora depois do Verão.

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A Liberdade da Imagem (1974-1986)

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Por muito amável convite do seu curador, José Bártolo, o meu texto “Os livros dos mil dias” foi publicado no jornal que acompanha a  exposição  “A Liberdade da Imagem (1974-1986)”, inaugurada a 29 de Maio (com termo a 21 de Setembro) em sete locais da cidade do Porto (Casa do Infante, Museu Romântico Quinta da Macieirinha, Palacete dos Viscondes de Balsemão, Casa Museu Guerra Junqueiro, Galeria, Municipal Almeida Garrett, Sala VIP da Casa da Música e Museu de Arte Contemporânea de Serralves) e produzida pela ESAD e pela C.M. do Porto. Pude já dar uma vista de olhos em Agosto (e conto poder dar mais uma em Setembro).

Achei curiosa a forma de expor os livros a que Miguel Vieira Baptista recorreu na montagem da exposição. Consegui estabelecer uma relação imediata entre o impacto destes livros da fase revolucionária (e pós) no chão dos diferentes espaços expositivos (vi-os assim no Palacete Visconde de Balsemão e na Casa do Infante) e a situação em que mais comummente os encontramos de há uns bons anos a esta parte (sobretudo desde o início dos anos 90 e o fim da URSS): pelo chão, nas feiras de velharias um pouco por todo o país (foi a partir desse ponto, precisamente, que comecei o meu texto).

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Convite

Lançamento do livro & etc – uma editora no subterrâneo, uma publicação da Letra Livre que reúne textos sobre a mais antiga editora independente portuguesa (quarenta anos de existência). Inclui um texto meu. Sábado, dia 23, às 18 horas.

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Serviço

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A propósito do raríssimo acontecimento que foi a sétima exibição em mais de trinta anos do mixed media de Ernesto de Sousa Almada, um nome de guerra  (concebido entre 1969 e 1972, foi exibido pela primeira vez em 1979), no passado dia 13 na Cinemateca Portuguesa, lembrei-me de resgatar uma notável entrevista/reportagem de Vitor Silva Tavares para o Diário de Lisboa, publicada no “Suplemento Literário” de 24 de Abril de 1969 e que encontrei nas “escavações” que fiz tanto na Hemeroteca como no arquivo online do Diário de Lisboa para o meu projecto de monografia sobre Fernando Ribeiro de Mello. Feita durante a rodagem de algumas sequências no atelier de Almada Negreiros que aparecem no filme final (tal como a de Almada a folhear um jornal), é um pedaço notável de prosa e acaba por ser exactamente o que o subtítulo indica: a reportagem “entrou” de tal forma “na fita” que muitos excertos da conversa entre Silva Tavares, Ernesto de Sousa e Almada, registada pelo primeiro num gravador Sony (quem sabe, um destes), acabaram na trilha sonora do mixed media, pelo que estas duas páginas (e mais um pequeno resto na página 7 do Suplemento) têm o acrescido valor de serem quase como um guião aproximado de um projecto que, diga-se, parece ter sido feito para acolher e absorver estes cruzamentos e coincidências (o texto inclui mesmo “colagens” de excertos de um diário de rodagem mantido pelo “assistente” Carlos Gentil-Homem).

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O que se viu/ouviu na sala da Cinemateca foi um filme a preto-e-branco projectado sobre o centro do écrã da sala, com o som autónomo da imagem (obviamente captados em dessincronia, ainda que a sequência de Jorge Peixinho a dirigir uma “orquestra” de instrumentos improvisados durante a performance Exercício de Comunicação Poética – apresentada no Clube de Teatro 1° Acto de Algés em 1969 – se faça acompanhar da música então registada), sendo que lateralmente eram projectados slides ora monocromáticos, ora bicromáticos (preto e ocre) que interceptavam os limites do plano fílmico e o penetravam, criando assim um efeito de “sobreimpressão” com um particular impacto visual.

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Concebidos por Carlos Gentil-Homem (com o colectivo do Estúdio Quid) ao estilo, por exemplo, da “tipografia expressiva” de um Massin ou das experiências de William Klein, estes slides são, estilisticamente, um perfeito complemento e uma extensão dos cartazes serigráficos que ele criou para o acompanhamento das exibições e uma adição visual à projecção absolutamente crucial.

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Quando me encontrei pela primeira vez com Vitor Silva Tavares para falar sobre Fernando Ribeiro de Mello, Almada entrou logo na conversa: o agora editor da &etc levara o Mestre a ver ao vivo o “golpe literário” (como lhe chamou a Seara Nova) que fora a sessão de declamação poética O Teste, organizada por Ribeiro de Mello em 1964 (dois anos depois, A Engomadeira seria reeditado na Afrodite na Antologia de Vanguarda), e citou-o, a propósito desta coisa de dar entrevistas ou prestar testemunho sobre isto ou aquilo: era “serviço”. Tal como o próprio Almada “servira”, ao sentar-se, nessa tarde de 17 de Abril de 1969, com Silva Tavares e Ernesto de Sousa para conversar. Pois bem: toca-me agora retribuir com algum serviço, nestes 120 anos de Almada e 40 de Vitor Silva Tavares como editor de livros. Eis, pois, aqui a transcrição integral desta reportagem, em versão PDF e como documento de texto.

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Lisboa submersa e animada

Animação feita por Nuno Elias da imagem que criei para o Fórum Fantástico 2013.

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The fly and the soup

Far from me to want to slip into the shoes of the proverbial “fly in the soup” type of person, especially in what concerns such a high-profile and important event like the 50 Books/50 Covers competition, but… I’m afraid there is a fly in my soup.

The facts, to put it plainly and swiftly, are these: in July, I entered the 50 Covers/2011 contest by uploading to Design Observer (which was co-organizing it with AIGA and Designers & Books) five samples of covers of books I had designed in 2011  (two of which, Osama and Gorel and the Pot Bellied God, I decided to nominate to the 50 Books/2011 competition as well). On July the 18th I got an email from Design Observer (DO) informing me that

“our competition rule is that we accept any book published in English, including bilingual editions, irrespective of country of publications. But we do not accept books published in other languages unless the book includes English text.”

Since I could not confirm that 3 of the 5 covers I had nominated had been designed for bilingual editions (they hadn’t), and since they had been, of course, commissioned by a Portuguese publisher to appear in Portuguese-only editions, DO informed me that, “sadly“, they were forced

“…to delete them from our system and from consideration in the 50 Covers competition”.

Later that same 18th of July I received a short and very kind email from DO again, confirming the impossibility of the 3 covers being included in the competition:

“So sorry we cannot include these. They are fantastic.”

I accepted this decision, of course, and took the “they are fantastic” bit as a consolation (and a proof that the sole criterium for the elimination of these covers was the fact that they had appeared in editions that were not in English or bilingual). It is important to state very clearly at this point that I entered this competition with the solid understanding (and expectation) that it would be virtually impossible, or at the very least hugely unlikely that I could get a single nomination on the final winning list; showing some of my work was good enough. Nevertheless, being this a competition, and competitions being normally based upon rules and criteria of universal appliance, I was also expecting that these rules and criteria (under which 3 of my 5 nominations had been taken out of the race) would apply to the very end of the contest. Fade out.

Fade in. Comes October and the final results of the winners in the two categories, Books and Covers. Mere curiosity led me to consult both, and in the latter I’m suddenly struck by a flashback to that email exchange in July. No less than three (3) of the final winning covers were designed for Portuguese-only editions (not even bilingual). That’s when I began hearing the buzz of the fly, while a couple of questions were forming and seeking for answers:

a) is there another country or state inside the USA or the British Commonwelth, where a language stunningly similar to Portuguese is considered to be actually English?
b) is “they are fantastic” new jargon for “sorry, mate, but these stink”?

Somehow bewildered, I decided to contact DO and – while at the same time not wishing to poop on everyone’s party – still get some answers on the real criteria behind this competition. And although I do admire and agree with many of the final choices, I must again vigorously state that what moves me is not a discussion on quality and “good design” (that’s what the judges are there for) but trying to reach a clear and definite understanding of what Design Observer and AIGA consider eligible conditions in a nomination for the “50 Books/50 Covers” competition. Language, or more specifically, the fact that a cover is or isn’t designed for English or bilingual editions, clearly isn’t one of them. So, while I’m still waiting for an answer (and while still considering 50/50 a landmark annual event and in which I’m glad I could show some of my work), all I can honestly and humbly do is raise my hand and say: “so sorry, but I do believe there’s a fly in my soup”.

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Sementes de carvalho sobre uma mesa de pinho

Na mesa montada na Fabrico Infinito no Sábado, pelas 16 horas, para a apresentação do número duplo da revista PLI. Da esquerda para a direita: Luís Miguel Castro, Sandra Vieira Jurgens, José Bártolo, eu e João Martino. Quando abri a boca, limitei-me a transmitir a sensação com que fiquei desde o primeiro contacto físico com revista, dois dias antes, e que se reforçou com a leitura quase completa deste número: que, neste particular formato, a PLI é um objecto irresistível, tanto visual e tactilmente como pelo seu conteúdo.

Optando por um arriscado sortido de formatos e texturas, como se fosse, de facto, a aglutinação de um conjunto heteróclito de pequenas edições (a propósito de um dos textos aqui publicados, lembrei-me da Aspen de 1965-1971, a “revista numa caixa”, uma das quais foi concebida por Quentin Fiore logo após a publicação do Medium is the Massage), a dupla Bártolo (editor) e Martino (director de arte) conseguiu criar um objecto editorial que tem na ausência aparente de uma vontade uniformizadora do estilo ou temáticas dos textos um dos seus maiores trunfos e apelos para o leitor, pelo desafio que coloca a este e pela recompensa que o espera nos possíveis (necessários mesmo) regressos à revista para novas leituras, novos cruzamentos. Receio diferir aí da Sandra Jurgens, que defendeu um caminho estilisticamente mais uniforme e coeso no futuro da revista: é precisamente esta oferta multiforme, quase caótica, que me fascina, tanto mais quando a qualidade dos textos à disposição complementa a cola da lombada na função de elemento aglutinador desta miríade de propostas.

Dos dezasseis “artigos” (termo que aqui pecará, de alguma forma, por defeito), poderia começar pelo de Maria João Baltazar, “Design e mediação comunicacional”, onde se analisam duas obras incontornáveis na história do design editorial e no contexto do estatuto do designer como autor: Malerei, Fotografie, Film de Moholy-Nagy (1927) e The medium is the massage de Quentin Fiore e Jerome Agel, “samplando” obras de Marshall McLuhan (1967). Desde que li o artigo sobre ele no já distante Design Writing Research da dupla Abbott Miller/Lupton que o trabalho de Fiore neste paperback (e noutros, genericamente conhecidos como “inventory books”) é uma das minhas referências e uma fonte de deleite. Calhou a coincidência de ter recebido a revista quando estava a ler precisamente o notável ensaio de Jeffrey Schnapp e Adam Michaels The Electric Information Age Book (Princeton AP, 2012) sobre o trabalho de Fiore e Agel na redefinição da função do paperback e as suas experiências de fusão do mesmo com o layout das revistas, fazendo a produção ultracomercial de livros de bolso na América mergulhar (durante uns anos: de 1967 a meados da década seguinte) na mesma fonte de inspiração de onde brotara o livro de Moholy-Nagy e outros produtos do modernismo dos anos 20 e 30. O texto de Baltazar não recorre ainda a este decisivo estudo (seguindo mais o texto de Miller/Lupton, que não acentuava ainda o papel crucial de Agel na produção do livro), e usa como fonte iconográfica a edição da Gingko de 2001, e não a original da Bantam (Carson não bate Fiore no que toca a este livro, lamento), mas como não ficar “agarrado” à revista quando se entra por um raríssimo texto em português sobre um dos quase esquecidos da história do design gráfico?

Incontornáveis: o texto de José Bártolo sobre os anos de 1970, essa década “perdida” entre dois booms sócio-culturais (um dos muitos  trunfos do texto está numa revalorização da obra gráfica de Armando Alves); Almada e Ernesto Dois Nomes de Guerra, de António Quadros Ferreira e Paulo T. Silva, sobre o “mixed media” de Ernesto de Sousa em torno da figura de Almada Negreiros, longo work in progress entre 1969 e 1983; a entrevista (necessária mas infelizmente curta) de José Bártolo a Luís Miguel Castro, o designer e director de arte da revista K e de alguns dos melhores catálogos da Cinemateca (e que grande conversa não seria ainda mais se a ela se tivesse juntado João Botelho?); Self-initiated design, uma surpreendente e interessantíssima excursão de Patrick Lacey e Susanna Edwards a outro livro que teve um designer como “iniciador” e autor, Fischer V. Spassky de Derek Birdsall (Penguin, 1972); “Entusiasmo pela publicação”, um panorama das small presses e (auto)publicações na Holanda, Espanha e Reino Unido; uma curiosa recolha de “Statements” sobre a edição feita por designers, da qual destaco o belíssimo texto de Steven McCarthy, para quem estas pequenas edições de autor/designer se assemelham às centenas sementes de carvalho caem no terreiro junto à sua casa, as quais dificilmente germinarão e se tornarão em futuros carvalhos, mas que forçam, pelo seu exemplo, muitas outras sementes a espalharem-se por muitos outros terreiros. Novos regressos à revista poderão fazer-me baralhar e renovar este naipe de escolhas (baseadas, mais do que num critério objectivo, em afinidades de gosto e referências).

À minha frente na mesa, além do livro de Schnapp/Michaels, tinha comigo dois exemplos precisamente desta “vontade de publicar” que é transversal a designers/artistas de várias gerações e condições profissionais ou sociais. São dois livrinhos (auto)publicados por Robert Massin na sua Typographies Expressives: de como um designer com quase noventa anos não baixa os braços perante a dificuldade em aceder à edição comercial de “primeira divisão” (onde ele, aliás, trabalhou durante décadas) e usa os recursos tecnológicos à disposição (como a impressão digital, que permite tiragens reduzidas e uma gestão faseada da produção) para publicar conteúdo de qualidade.

Perante este presente tóxico, a PLI oferece-nos (e nas escolhas que listei atrás isso é notório) uma capacidade de regressão e reflexão sobre objectos da história do design gráfico (ou da produção artística no campo editorial) português, e consegue fazê-lo através de um objecto editorial que, em si mesmo, não empalidece na comparação com os que podemos ver sob as suas páginas/lentes. É, pois, um veículo perfeito para retronautas. Luís Miguel Castro falou da crença dos chineses de que se caminha para o futuro de olhos bem postos no passado e que, quanto mais se conhecer este, melhor se chegará àquele. Eu lembrei-me do personagem do La Jetée de Chris Marker, que procura  no passado a sua própria identidade e as soluções de que necessita, quando o presente não lhe dá espaço e tempo para o fazer.

Bastou-me saber pelo José Bártolo que um dos “artigos” da próxima PLI é sobre a influência do Tropicalismo no design gráfico brasileiro (esperando ecos dessa excelente leitura que foi O Design Gráfico Brasileiro dos Anos 60 de Chico Homem de Mello) para ficar já de bilhete na mão e ouvido pousado sobre os carris. Esperemos que a solidez financeira da ESAD seja suficiente para manter o comboio a circular.

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