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Alice, finalmente

Está finalmente online o texto que compus a pedido da Maria João Freitas para este projecto até agora mantido em absoluto segredo. Chama-se, afinal, ClubAlice, e o meu texto dentro dele é “Alice e Dolores num barco a remos”, uma deambulação – que espero não soe muito pomposa–  sobre as relações bem tangentes entre a Alice de Carroll e a Dolores/Lolita de Nabokov, que quase poderiam ter-se cruzado se um ilustrador genial de Alice, Ralph Steadman, tivesse querido ou podido convencer Nabokov que era o homem certo para ilustrar Lolita. Mas explorem o site antes de lerem o meu texto: um trabalho excelente de concepção e design.

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Alice recordada

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Creio que a terei visto pela primeira vez em Viana do Castelo, pelos idos de 2004 (ou terá sido na Barata de Roma nesse mesmo ano?). Tomando-a, aparentemente, como “mais uma” revista meio frívola sobre a cultura visual urbana, e, num segundo olhar, como um mero portfolio das várias agências de publicidade, foi com espanto que descobri, a páginas tantas, um extenso e muito completo artigo sobre o (então) inovador design dos livros da editora Cavalo de Ferro (terá sido, portanto, esse número de Outuno de 2004 o primeiro que conheci – Prova A). Era algo de totalmente inédito na imprensa cultural portuguesa: alguém decidira escrever um artigo sobre design editorial indo directamente à fonte, aos designers e editores, sem recorrer a “críticos”, “personalidades” literárias ou professores de cursos de Comunicação. Os  livros eram fotografados e mostrados de uma forma directa e despretensiosa (Jorge Silva e o seu atelier optaram aqui por uma grelha muito simples e o uso quase exclusivo da Times New Roman), com alguns spreads de exemplo (fazendo  coincidir, em certos casos, a calha dos livros fotografados com a da própria revista), e dados à contemplação como objectos estéticos.

Prova A
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A atenção ao detalhe e à voz do designer neste e noutros artigos (como, por exemplo, o dedicado ao trabalho da designer Raquel Porto – Prova B) permanece, infelizmente, caso único entre nós, que não me lembro de ver nas páginas da Egoísta, da LER (quer na antiga, quer muito menos na nova incarnação), do Ípsilon ou no único jornal de circulação nacional dedicado às “letras”, o JL. Como já escrevi aqui, opera-se nas páginas desta imprensa cultural um paradoxo curioso: apesar de aí reproduzidas intensivamente, as capas dos livros criticados tornam-se invisíveis pela completa ausência de reflexão sobre os mecanismos da sua criação e articulação com os textos que representam.

Prova B

Tal como parece acontecer com estes projectos de revistas sobre livros e edição muito originais (lembro-me da Zembla), a Alice, apesar de contar com o apoio do Clube de Criativos de Portugal, durou pouco e acabou em 2005. E não fossem esses dois ou três fortuitos encontros em livrarias ou papelarias, mal teria dado por ela.

Quis o acaso que, em Abril deste ano, acabasse por conhecer a directora editorial da Alice, Maria João Freitas. Revelada como uma bibliófila informada, pude então perceber que esse cruzamento excitante de revista-portfolio com uma linha editorial quase introspectiva, literária, honestamente curiosa e sem muletas de jargão de “classe” era da sua total responsabilidade (a começar no nome da revista, como prova a sua dedicada colecção de todas as imagens relacionadas com a Alice original, a de Lewis Carroll). A minha curiosidade sobre a curta vida desta Alice materializou-se num questionário cujas respostas espero em breve poder colocar aqui.

In English soon.

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The Hungry Eye

A Maria João Freitas começa a recuperar o “espólio” da revista Alice em textos da série The Hungry Eye do seu blogue.

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