Tag Archives: Gateways

O “caso” Gateways

“O ‘caso’ Gateways” é o meu próximo texto no PNetdesign. Uma resenha do livro e exposição (essencialmente, já publicadas aqui antes), e uma tentativa de explicação tripartida, e que espero não seja vista como polémica, sobre o porquê do completo desinteresse que o excelente projecto de Andrew Howard despertou nos media culturais por cá.

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Gateways soma e segue

O livro Gateways acaba de conquistar um prémio do New York Type Directors Club, o que garante a sua inclusão no anuário que o mesmo clube publica, fazendo, oficialmente, deste livro concebido, produzido e publicado em Portugal um dos melhores do ano transacto.  De lembrar que Andrew Howard conseguiu o milagre de inserir nesta antologia do melhor design de capas mundial muitas edições portuguesas. Pergunto-me se a imprensa “cultural” (sobretudo a que se dedica aos temas do livro) ficaria mais interessada na carreira deste livro (para já não falar da sua publicação por cá) se outras editoras ou outros designers estivessem presentes… Mas isto sou só eu a falar com os proverbiais botões.

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Gateways ainda mexe (and how!)

Duas referências ao catálogo Gateways a abrir o ano, e não se podiam esperar melhores fontes: no blogue da Penguin, Coralie Bickford-Smith (uma das designers residentes da editora, que Andrew Howard convidou a mostrar trabalho na exposição) recomenda o livro, chamando-lhe “a great overview of book cover design from around the world, and a lovely object in its own right”. E, last but (certainly) not least, na secção Uncoated da Eye de Inverno (a última), o livro merece uma curta mas entusiástica referência (“a fascinating snapshot”). Na foto, uma amostra do canto reservado na página 94  (foto tirada na Tema dos Restauradores: adoro a Eye, mas o preço é de fazer muitas contas…).

eyegateways

Para os distraídos, lembra-se que se tratou da primeira exposição e do primeiro livro concebidos e produzidos em Portugal exclusivamente dedicados ao design de capas de livros, tema que em qualquer outro país da Europa teria direito a um espaço expositivo nobre e a uma extensão a pelo menos mais outra cidade. Por cá, continuamos com Ministros da Cultura que assistem a inaugurações de “espaços” de livrarias, mas que passam ao lado de iniciativas destas.
A este catálogo dediquei uma recensão aqui.

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Idioms

idioms

O site dedicado à série de exposições Idioms, comissariadas por Andrew Howard, está já activo. Nele pode-se comprar, além do catálogo da exposição Gateways, outras edições ligadas ao projecto.
Sobre o catálogo da Gateways, especificamente, sabe-se que a Eye, no seu número de Inverno, dedicará ao volume um texto na sua área Uncoated, e que há possibilidades de uma publicação do livro (apenas em inglês) por uma editora inglesa especializada (e bem conhecida).

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Gateways: an international exhibition of book covers

Título
Gateways: an international exhibition of book covers

Coordenação/Design
Andrew Howard

Textos
Andrew Howard, Jon Gray, David Pearson

Edição/Produção
Fundação de Serralves | Norteshopping, 2008
Edição bilingue
230 x 150 mm, 444 páginas
Impressão: Norprint

Descrição
No estilo intransigentemente minimalista e “invisível” que tem caracterizado o trabalho do seu coordenador e designer (que “trai” a preponderância da produção de catálogos no portfolio de Andrew Howard), Gateways é um objecto raro na edição portuguesa sobre esta matéria, não tanto pela quase total escassez de títulos nesta “prateleira” de que nos possamos lembrar, mas sobretudo pelo rigor temático e estético que é nítido na decantação do seu conteúdo, e pela assunção clara de pertença a uma geração e a uma escola que ele (com toda a propriedade) exibe. É também, e por esse mesma ordem de afinidades, (mais) uma confirmação da importância da dupla R2 (Artur Rebelo e Lizá Ramalho) no panorama da última década (sendo prova dessas afinidades um livro, pelo menos, produzido em comum com Howard e que se expõe aqui).

Numa composição tipográfica muito típica do seu autor, e respeitando uma ordem cartesiana inabalável, o livro divide-se simetricamente em 3 partes: a sequência de textos em inglês de Howard, Jon Gray e David Pearson (em papel não-couché e a 2 cores), a sequência das capas ordenada alfabeticamente por apelido ou nome de firma (com um spread para cada capa: descrição bilingue e ficha à esquerda, imagem à direita) e sequência dos textos em português. Com um generoso uso do espaço, tudo aqui é dirigido para a leitura e a reflexão, um luxo a que só catálogos deste tipo se (e nos) podem dar. Creio que teria talvez sido preferível uma organização das capas que reflectisse a que é aparente nas exposição, onde a ordem alfabética é preterida em benefícios de áreas com um certo denominador comum, seja ele editorial ou autoral (portfolios compactos de séries ou de designers como João Bicker, Juan Pablo Cambariere, Coralie Bickford-Smith, Jamie Keenan, etc, alguns deles convidados especiais), seja de cariz mais temático (por exemplo, a minha capa, junto às de Gregg Kulick e à de Yulia Dvoeglazova, parece-me denotar uma área que remete para a colagem modernista – que assumo como consciente na capa de Criaturas da Noite). Mas os imperativos de tempo na produção do catálogo terão ditado esta solução mais simples, que não impede, contudo, o deleite e a informação a que a obra se destina.

“Do ponto de vista de qualquer editor, o dilema é decidir se deve usar a capa para se promover a si próprio ou ao título individual.”

Escusado será dizer que na pequena (ainda que altíssima: olhar para cima é um dos prazeres do Silo) área de exposição se encontram algumas das capas que definem o design editorial contemporâneo em 4 continentes, e que não se definem apenas pela escolha do comissário: há aqui um nítido ecletismo que abraça a edição comercial hardcore (estando até muitas destas capas já no cânone gráfico há alguns anos) mas que permite a quase insolente intrusão de pequenas editoras ou exemplos de edição “de artista” de pequenas tiragens. É este ecletismo controlado por uma visão estética amadurecida (e bem explanada no texto inicial) que pode justificar algumas “ausências” de nomes sonantes (desacertos com os prazos de envio de amostras poderão também fazê-lo), mas que, sem dúvida, dá a substância a este documento.
Escusado é também reforçar a importância dos textos escritos ad hoc por Jon Gray e David Pearson e da decisão de editar na íntegra as memórias descritivas de cada capa, dando assim voz directa aos seus autores.

Howard prepara, segundo li algures, um volume com as intervenções dos convidados (e que convidados!) das Personal Views na ESAD (que uma simples consulta ao site da instituição revela como o mais importante acontecimento de design gráfico no país), e à luz do que ele aqui mostra só me resta desejar que esse volume venha em breve.

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Gateways: uma visita

Na única “aberta” que tive para visitar a exposição antes do seu encerramento, um Sábado “tipicamente” chuvoso no Porto. O Silo do Norteshopping de Matosinhos é, talvez, dos espaços mais bizarros e inclassificáveis para se conceber (quanto mais para se realizar) uma exposição, o que só me obriga a aumentar a quantidade de elogios às pessoas que conseguiram tirar esta da cartola, não apenas Andrew Howard (que brilha a vários títulos, pelas capas expostas, pelo soberbo trabalho plástico “exposto” no curto corredor que leva ao silo – uma proeza de desenho e carpintaria – e, sobretudo, pela organização e escrita em tempo recorde do catálogo) mas também a “massa crítica” da ESAD, que começa a fazer de Matosinhos um caso sério no design gráfico europeu.
Quanto ao catálogo, escreverei um texto em breve. A exposição, essa, reflecte os gostos do comissário, sem dúvida (na tradição do design editorial britânico, com o seu minucioso equilíbrio entre conceito e boa factura), e geograficamente, no que toca a Portugal, teve a “corajosa” decisão de não expor nenhum dos consagrados a Sul do Mondego (que posso também remeter para possíveis desencaixes com os prazos de entrega das amostras). João Bicker tem a mais do que merecida fatia de leão entre os portugueses com um fragmento do seu excelente catálogo na Fenda, e podiam lá ter estado os seus livrinhos para a Almedina. Algumas excelentes capas de designers alemães (sobretudo dos da ex-RDA), ecletismo bem doseado (de livros de tiragem reduzida e de “galeria” aos já “clássicos” da Penguin dos últimos 10 anos) e algumas deliciosas surpresas: 40 anos depois, e uns dias após um texto meu sobre a edição da Farrar de The Fly de Richard Chopping, eis que encontro outra mosca noutra capa soberba… da Farrar (a que Charlotte Strick fez para Varieties of disturbance de Lydia Davis em 2007).

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Avulsos

Ainda a Gateways – No incontornável blogue do Mário Moura (onde, precisamente, descobri a notícia do concurso para a exposição), noticia-se que a Gateways teve um duplo sinal de triunfo: um prolongamento até 6 de Outubro (ou seja, rentrée adentro, o que é de toda a justiça) e a chegada ao topo do (convenhamos, pouco concorrido…) top da secção “Design, Arte e Arquitectura”. Quanto ao prolongamento, nada a dizer a não ser aplaudir (e lamentar que não se lhe junte uma extensão geográfica a Lisboa). Quanto ao Top, uma dúvida: será apenas o Top da loja da FNAC do Norte-Shopping ? Porque em duas lojas dessas cadeia em Lisboa me foi dito que o livro apenas se encontrava à venda lá… E nas lojas Bertrand nem sabem do que se trata quando se pergunta pelo livro. Ainda assim, um triunfo inegável do designer Andrew Howard por ter a ousadia de fazer coisas destas num país onde a iliteracia e a incultura gráficas são norma.

Milton Glaser – No Reactor, leio, numa tradução de José Bártolo, um curioso texto de Milton Glaser precisamente sobre a incultura gráfica, poucos dias após ter recebido em casa um perfeito exemplar da edição de 1973 da monografia publicada pela Overlook Press (a da sobrecapa que reproduz o celebérrimo cartaz de Bob Dylan – um vizinho de Glaser em Woodstock – de 1969). Ao prazer de ter conseguido esse livro a um preço ridiculamente baixo, juntou-se um prazer que foi também confirmação: Glaser escrevia MUITO bem. Os comentários a alguns daqueles trabalhos são os de alguém que despreza a “treta” (esse linguajar que abunda nas “memórias descritivas”) e não se inibe em se auto-criticar abertamente.

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