Tag Archives: Hans Hillmann

A5: nota máxima

Há dias, em troca de comentários com Jorge Silva neste blogue, referi a colecção A5 da Lars Muller como modelo perfeito para o tipo de colecção que a SilvaDesigners vai editar na INCM. Nem de propósito, eis uma boa entrevista de Steven Heller a Jens Muller que, com Karen Weiland, edita essa colecção, da qual tenho um exemplar da tardia e muito merecida monografia sobre Hans Hillmann.

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At a certain distance

“There is a saying: the more one knows about another person the more difficult it becomes to surprise him (or her). If that is true for oneself, I can only hope my relations to myself remain at a certain distance.” (Hans Hillmann)

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Pop Kunst à la Hillmann

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E não me passa este espanto a casa coisa nova de Hans Hillmann que vou descobrindo, sobretudo do seu portfolio dos anos 60 e 70.  Graças a uma cópia a preço razoável do livro que lhe foi dedicado pela bela colecção A5 da Lars Muller (que recebeu recentemente um European Design Award), uma monografia já tão tardia na sua carreira mas bem merecida (e que compensa a falta de texto “crítico” ou analítico com bons depoimentos do artista), graças a esse livrinho, escrevia, pude descobrir este Mike Blaubart de 1968.

Ao que parece, o livro é o documento de registo de um telefilme, escrito e realizado por Gerd Winkler, e produzido na RFA e Aústria, tendo sido emitido em ambos os países nesse ano. Sendo blaubart alemão para “barba azul”, não é difícil de supor que se trata da recriação, em plenos swinging late sixties, da história do implacável coleccionador (e assassino) de esposas.

Para além de desenhos de Hillmann, produzidos para elementos do cenário do filme (o fato do personagem principal, por exemplo, é todo estampado com desenhos seus) ou para o genérico de abertura, o livro vive das fotos de rodagem, os stills, que são prova cabal da marca visual que o designer imprimiu, fazendo dele, juntamente com Jeu de Massacre de Alain Jessua (1967), um dos poucos filmes europeus da “era Pop” em que intervieram de forma decisiva grafistas de renome (no filme de Jessua, como já aqui escrevi, dominavam os comics de Guy Peellaert). É também curioso constatar que Hillmann parece ter aplicado no design deste livro o que certamente teria captado do trabalho de Willy Fleckhaus na Twen, quando era um dos ilustradores dessa revista no início da década de 60: a manipulação das fotos e a sua colocação ritmada nos spreads e ao longo das páginas, jogando sobretudo com a repetição e os contrastes de escala, são ecos não só do design que essa revista tornou popular, mas também, é verdade, do posterior trabalho de Hillmann nos cartazes de filmes para as distribuidoras alternativas da RFA.

Quanto ao filme, podem tentar mas é inútil. Nem no ebay alemão se encontra um VHS que seja deste Mike Blaubart, restando saber se os arquivos das cinematecas alemã ou austríaca terão alguma cópia.

In English soon.

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Filed under 1968, Capas, Livros

O cinema deste lado do Muro

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Nos anos 50 e 60, no pico da cultura cineclubista pela Europa, alguns distribuidores e exibidores independentes procuraram compensar a falta de recursos para aceder aos materiais de propaganda vindos dos estúdios americanos e dos seus representantes no Continente investindo no design dos seus próprios posters, que eram acompanhados de programas em perfeita coesão estética com os primeiros: era a procura de uma individualidade e de uma afirmação de “marca”, apelando a um público minoritário mas conhecedor.

Na República Federal da Alemanha, um designer criou o essencial do seu portfolio para este segmento de mercado. Trabalhando tanto para a Atlas de Frankfurt (onde também ele estava sediado), como para a Neue Filmkunst Walter Kirchner de Gottingen, Hans Hillmann criou a reputação de melhor “cartazista” alemão com os cartazes feitos para estas duas empresas a partir de finais da década de 1950, quase sempre para filmes “antigos” ou em reprise (para além das ilustrações regulares que fazia para a Twen de Willy Fleckhaus). Capaz de condensar mensagens tão poderosas como simples através da colagem, da fotomontagem ou do desenho (quase sempre misturando estas técnicas), ele é a referência incontornável para a qualidade do trabalho gráfico alemão nos anos 60 e 70, e é quase impossível eleger um favorito entre as muitas dezenas dos seus cartazes de cinema.

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Estes programas, produzidos entre 1961 e 1969 (que comprei em conjunto por perto de 3 EUR), são a prova do cuidado dos encomendadores, a Atlas e a Neue Filmkunst Walter Kirchner, em procurar um design com impacto apesar de meios reduzidos (raramente usando mais do que 1 cor, por exemplo).  Em todos os programas com design de Hillmann (apenas o de Kinder des Olymp/Les Enfants du Paradis é de Isolde Baumgart) nota-se o seu uso inteligente e ritmado das fotos, com enquadramentos simples que amplificam o dramatismo (como no caso do programa de Ashe und Diamant/Cinzas e Diamantes), a que não seria estranho o seu trabalho como ilustrador na Twen por esses anos, onde o layout de Fleckhaus se impunha como modelo incontornável. Quando necessário, Hillmann recorre ao seu arsenal mais completo (como no caso do programa para Archibaldo de la Cruz, glosando o cartaz – um dos seus mais famosos, e que aparece numa das cenas de Deux ou Trois Choses de Godard – na sua mistura perfeita de tipografia – a palavra Leben [Vida] a ser cortada por uma faca – ilustração e fotografia), ou limita-se a dar notações mais dramáticas pelo uso da cor (como nos programas dos filmes de Godard).

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Os 2 programas da Atlas mostram uma aposta no plano horizontal (num formato ligeiramente maior do que os da NFWK, 23,5 x 20,5 cm), que Hillmann aproveita para explorar as possibilidades de contraste tonal e de escala que os fotogramas do Cinemascope permitem (como no caso do programa de Os Sete Samurais).

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Sobre este designer, por incrível que pareça, só este ano foi publicada na Alemanha a primeira monografia (pela Birkhauser). Para os curiosos mais pacientes, ainda é possível, contudo, encontrar alguns exemplares do número 2 da série Graphic Designers in Europe (que teve edição trilingue nos EUA, em França e na RFA em 1971). Possuo um exemplar da edição alemã (publicada pela Schuler, e dedicada também a Giovanni Pintori, Edward Bawden e Herbert Leupin – Prova A). Nele, um texto assinado por Hillmann abre-nos uma raríssima porta para os seus métodos de trabalho e a sua relação com os distribuidores de cinema (os clientes que lhe permitiam o trabalho mais notado então) e o público-alvo desse trabalho.

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Vale a pena citar:

The public
A rather small slice of the cinema crowd, people who do not go to the movies but go to see a particular film.

The client
A former film club initiator who started out wanting to show the films he liked himself, then realized there was a gap in the cinema market he could fill.

The advertising
Posters announcing films, sometimes shown on billboards, but always used in front of the theater; folder, leaflets promoting films, catalogues, programs.

E esta pérola sobre a sua aproximação criativa ao trabalho.

I do like to talk about my work, or, to be more specific, about the process of working, which I think is much more satisfying than the completed thing, probably because everything is still undecided and one has a chance to do something that comes as a surprise to oneself. There is a saying: the more one knows about another person the more difficult it becomes to surprise him (or her). If that is true for oneself, I can only hope my relations to myself remain at a certain distance.

In English soon.

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Gunter Rambow: a extensão do livro

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Vi, pela primeira vez, este cartaz numa pequeníssima reprodução no Thames and Hudson Dictionary of Graphic Design and Designers, há uns bons anos. Trata-se de um de muitos cartazes que Gunter Rambow criou no final dos anos de 1970 para a editora de Frankfurt S.Fischer. Com os restantes da série, constitui uma das melhores expressões da beleza e da elegância do livro como objecto que vi até hoje (em especial, do formato “clássico”, em capa dura com sobrecapa). Rambow fora aluno de Hans Hillmann na Hochschule de Kassel, e alguns dos cartazes que Hillmann criou para a distribuidora Neue Filmkunst Walter Kirchner nos anos 60 e 70, com o seu trabalho cuidadoso na manipulação de fotografias, na tradição das fotomontagens modernistas (veja-se o cartaz de 1964 para Por um Punhado de Dólares de Sérgio Leone – Prova A), iluminam perfeitamente a linha estética que Rambow decidiu desenvolver a partir do contacto com o mestre.

Prova A
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Do portfolio completo desta série para a S.Fischer, escolhi alguns que, apesar da distância temporal (e da sobrecarga de imagens “compostas” após a chegada do Photoshop nos últimos 20 anos),  me parecem ainda espantosos de invenção, consistência formal e perfeição de acabamento.

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GUNTER RAMBOW: THE EXTENSION OF THE BOOK
I first saw this poster in a tiny reproduction in the Thames and Hudson Dictionary of Graphic Design and Designers, many years ago. It’s one of many posters Gunter Rambow created for Frankfurt’s publishing house S. Fischer in the late 1970s., and, along with the other posters of the series, it is undoubtedly one of the best expressions of the beauty and elegance of the “classical” book format, hard backed and dust jacketed. Rambow had been a student under Hans Hillmann at Kassel’s Hochschule, and some of the latter’s posters for the Neue Filmkunst Walter Kirchner film distribution company in the 1960s and 70s, with its skilful handling of photos, in the modernist tradition of photo-montage (see the 1964 poster for Sergio Leone’s For a Handful of Dollars
A), shine a clear light over the aesthetic path Rambow decided to trod since his contact with the master.

From the complete portfolio of this series, I chose only these, which despite the distance in time (and the composite imagery overload after the arrival of Photoshop some 20 years ago) still look amazing in their invention, formal consistency and seamlessness.

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