Tag Archives: Luiz Pacheco

Entretanto, na imprensa

Recensão de José Mário Silva no suplemento A(C)TUAL do Expresso (19.05.12). Clicar na imagem para ler. O livro compra-se na LOJA deste blogue.

Leave a comment

Filed under Da casa, Imprensa

Já à venda

Já está disponível para encomenda a primeira edição Montag, A Última Sessão, sobre o processo de edição dos Textos Malditos de Luiz Pacheco entre 1974 e 1977. O biógrafo de Pacheco, João Pedro George (Puta que os pariu!, edição Tinta da China, 2011) afirmou ter ficado com “a melhor das impressões. Gostei sobretudo das observações relativamente aos aspectos gráficos do livro, componentes importantes no acto de leitura que a crítica e a história tendem a ignorar ou deixar injustamente esquecidas.” Os interessados devem dirigir-se à LOJA deste blogue onde, por uns módicos 4,00 Euros (mais portes de envio), poderão encomendá-lo. Aviso à navegação: o texto desta edição não obedece ao Acordo Ortográfico de 1990.

Leave a comment

Filed under Da casa, Livros

Para retronautas

Um bocadinho cansado já de esperar pela publicação do texto na revista que mo tinha pedido, decidi-me: em Maio vou publicar A Última Sessão, transformando esse texto numa pequena, modesta, barata mas, espero, atractiva edição comemorativa dos 35 anos da publicação “oficial” (Maio de 1977, tal como consta da ficha técnica) dos Textos Malditos de Luiz Pacheco pela Afrodite de Fernando Ribeiro de Mello. Trata-te não só de uma homenagem ao escritor, como, sobretudo, ao editor e ao ilustrador Henrique Manuel, figuras cuja memória se foi diluindo por entre a espuma dos dias. Será a minha primeira publicação com a marca Montag. Devo desde já deixar claro que agradeço a extrema amabilidade de Aníbal Fernandes, Ricardo e Artur Henriques, Nicolau Melo, Antonina Ribeiro de Mello e Paulo da Costa Domingos.

1 Comment

Filed under Da casa, Livros

Iconografia pachecal

Luiz Pacheco visto, respectivamente, por João Rodrigues em 1964 (in Jornal de Letras e Artes), Benjamim Marques em 1965 (o “grupo do Gelo”, em que Pacheco é o segundo a contar da esquerda, in Diário de Angola), Henrique Manuel em 1977 (in Textos Malditos, edição Afrodite/Fernando Ribeiro de Mello) e Manuel João Ramos em 1992 (in revista K). As duas primeiras imagens são retiradas da biografia de Luiz Pacheco Puta que os pariu! de João Pedro George (Tinta da China).

3 Comments

Filed under Ilustração, Imprensa, Livros

Palla: Ler, editora

A descoberta, há dias, numa FNAC de Lisboa, de um grande stock deste Dicionário de Milagres de Eça de Queirós (stock proveniente, com certeza, da livraria Ler do Sr. Luís Dias, a Campo de Ourique), foi o pretexto para relembrar a colaboração de Victor Palla com esta pequena editora lisboeta que conseguiu publicar dois livros (agora cobiçados e caros) de Luiz Pacheco e pequenos exercícios formais do próprio Palla, além de se poder gabar da façanha de, numa edição (precisamente este Dicionário), reunir na ficha técnica os nomes de Pacheco, Palla e Eça.

Em Janeiro de 2008, alguns dias depois da morte de Luiz Pacheco, comprei ao mesmíssimo Luís Dias, a preço de saldo, os dois volumes dos Textos de Guerrilha do autor. Desconhecia de todo o catálogo da Ler, e que a editora funcionara ali mesmo naquela papelaria/livraria na Rua Almeida e Sousa, em frente ao belo Jardim da Parada.

Em face da capa do tomo 2 dos Textos de Guerrilha (edição de 1979), foi-me também algo difícil associá-la imediatamente a Victor Palla, e apenas uma consulta à ficha técnica o permitiu. Não é, de todo, uma capa ao nível das que nos habituámos a ver no seu “cânone”, faltando até uma das suas assinaturas de estilo: a tipografia desenhada e laboriosamente composta. Aqui o texto a preto numa não-serifada bold e itálica sobreimprime uma composição abstracta riscada a carvão ou pastel e impressa a uma cor. Era também estranho descobrir que a capa do primeiro volume não era sua, o que permite supor um recurso a uma solução de emergência para uma edição com pouco cuidado visual (e à qual falta o atractivo das ilustrações de Vasco, que se encontram no primeiro volume).

Outro galo (em rigor: anjo) canta na capa do Dicionário de Milagres. Do mesmo ano de 1979, esta edição parece ter tido a possibilidade de investimento num maior efeito visual e táctil, que se resume num cortante circular que envolve e ao mesmo tempo revela o desenho do torso de um anjo. A manualidade na criação da tipografia está em pleno no nome do autor, a vermelho sobre o fundo preto. O livro (uma reedição dum texto “menor” de Eça de Queirós, da última fase da sua vida literária) não possui qualquer ilustração ou detalhe tipográfico ou composicional digno de menção, mas esta entrada quase “cenográfica” e uma maior pausa para respiração nas duas páginas de abertura, com o nome do autor e o título separados, elevam esta edição a outro patamar gráfico.

Ora parece ter sido dessa forma lúdica e aventureira graficamente que Palla começou a sua colaboração com a Ler, a julgar pela data (1978) da ficha técnica de dois pequenos livros, de formato sensivelmente quadrado (10 x 9,7 cm), dos quais é o autor: Provérbios e Epigramas, títulos auto-explicativos, mas que escondem uma enorme facilidade com as palavras e com os jogos das mesmas a nível literário. Pequenos apontamentos tipográficos (os enormes números de página, por exemplo, que permitem, como num flipbook, uma sequência animada no folhear) não impedem a fruição do texto. E há já – o que é também comum à edição do Dicionário – a assunção de um logotipo para a editora.

Eis pois o polivalente Palla a poder cumprir, num projecto de edição mais modesto, essa mesma polivalência: grafista, tradutor e antologiador (numa edição de poemas ingleses da Ler de meados da década seguinte), autor (editor tinha-o já sido nos anos 50). No volume Falando do Ofício, publicado em 1989, nada se revela desta colaboração editorial na parte final da sua carreira (ainda que as suas misteriosas “capas fictícias” sejam referidas com sentido de humor, como transcrevi já aqui). Talvez o Sr. Luís Dias tenha algo interessante que contar. (Obrigado à Maria João Freitas pela oferta).

1 Comment

Filed under Capas

Cinco capas polacas para Luiz Pacheco

E se os Textos Malditos (nem mais) de Luiz Pacheco tivessem sido publicados na Polónia? Foi este o conceito com que participei no concurso de capas polacas imaginárias do 50Watts de Will Schoffield. Quatro propostas “originais” e um pastiche directo de uma capa da editora Iskry de 1971. Um divertimento de Domingo à tarde.


1) “What if Pacheco’s texts had been published in Poland in the 1950s/60s? No sexual references in sight, hand drawn typography (by me, only the word “Przeklęty”) and a cartoonish portrait of the author (by me). Many arrows shot in the air, in all directions, since his targets in these texts were many and all over: it was war.”


2) “What if Poland had had a 2nd political and cultural spring right at the end of the 80s? This cover could have been made then: a dirtier, post-punkish in-your-face kind of thing. Note: the inclusion of the word “chuje”, meaning “dick/cock”, is a direct reference to a famous episode in Pacheco’s life, when he typed four letter words in red for every word he didn’t understand in the original he was translating (Voltaire’s “Philosophical dictionary”), hoping to correct them later… A putto is holding a book from which arrows shoot forward.”


3) “Again in the 50s and 60s, a comic jab at his diabolical verve and his appetite for young women in every shape or form. The little putto again holding the book from which Pacheco’s venomous arrows shoot.”


4) “The riskiest cover, perhaps. Let’s say this could be a cover some Polish designer did in the early 60s, during Gomulka’s cultural “spring”, and later had to throw in the bin at the end of the more liberal political period. Two important women in Europe’s intellectual heritage share central stage, Simone de Beauvoir and Saint Teresa of Avila, no doubt known to Pacheco (a supremely well read man) at that time: up to you to find who’s who. The poor putto, horrified from such a shock, is now shot by one of the arrows that fly around dangerously.”


5) “I chose to pastiche the very simple and yet striking 1971 cover for Dumas’ “Czarny tulipan” (published by Iskry). Just classic Baskerville (I believe) for type and a silhouette fused with another image intimately connected with the former: in this case I chose again Bernini’s Saint Teresa with her ecstatic pose, allowing readings of sexual frustration and/or drive but also of a very intense intellectual who took her mission dead seriously, which could be a very accurate portrait of Luiz Pacheco. Considering Pacheco was imprisoned for writing a preface to Marquis de Sade’s Portuguese 1966 edition of “Philosophy in the Bedroom”, it’s also a very explosive fusion.

All covers are as if published by ISKRY since that, browsing through Polish ebay or antiquarian online booksellers, I found that almost all the covers coming from this publishing house are very seductive eye-catchers. A tip of the ol’ hat to them for that.”

FIVE POLISH COVERS FOR LUIZ PACHECO
My five entries for Will Schofield’s 50Watts Imaginary Polish Covers Contest. Luiz Pacheco’s Damned Texts is not actually a “classic book” (far from it), but this was quite a bit of fun for a Sunday afternoon.

Leave a comment

Filed under Capas, Da casa

“Monstrozinhos insidiosos”

No volume Luiz Pacheco/Contraponto, tal como escrevi aqui, sente-se a falta de mais informação sobre os designers ou artistas gráficos com que o editor e escritor privou e com os quais trabalhou na produção dos seus livros. Em alguns dos textos reunidos nos dois volumes de Textos de Guerrilha, Pacheco deixa sentidos testemunhos da convivência com Fausto Boavida e João Rodrigues, os seus “marginais” favoritos. Este último, que se suicidou em 1967, chegou a fazer a capa para a primeira edição de Crítica de Circunstância, publicado pela Ulisseia em 1965, capa essa que aparece reproduzida no livro/catálogo publicado agora pela Leya/BN.

Rodrigues, muito próximo da geração de surrealistas portugueses do pós-guerra, terá sofrido, a nível criativo, dos mesmos males de Pacheco e outros nos anos 50 e 60, com apreensões sumárias de livros e censura a cortarem  o desenvolvimento de uma carreira sólida. Em consequência disso, a sua obra dispersou-se e existem raros registos impressos que comprovem o seu muito talento.

Uma das excepções é este volume publicado pela Fundação Cupertino de Miranda, através do seu Centro de Estudos do Surrealismo, em 2009. Junto com desenhos de outros altos representantes do surrealismo por cá, como Mário Henrique Leiria ou António Maria Lisboa (descoberto, precisamente, por Luiz Pacheco na sua Contraponto), os desenhos de João Rodrigues (os seus “monstrozinhos insidiosos”, como lhes chamou Pacheco) trazem uma lufada de humor refinado, além da sua inegável qualidade de traço, e pedem, sem dúvida, por mais livros, ou pelo menos por uma monografia definitiva. (Muito obrigado ao Tiago Manuel, outro autor de “monstrinhos insidiosos”, pela oferta deste livro).

Leave a comment

Filed under Capas, Livros