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Colheita frutuosa

Um dos melhores Hammett numa das melhores séries da Penguin (edição de 1963), com umas das melhores capas de Romek Marber (sobre a grelha que o próprio Marber criou para essa série de “crime”).  O que eu chamo de “cruzamento perfeito”. E também um livrinho invulgar (raro também?) de “epigramas” de Victor Palla, com um design limpo e económico num formato pouco comum (um quadrado de 10 x 10 cm) e numa edição da Ler (editora de Campo de Ourique) de 1978, numa altura em que Luiz Pacheco também por lá publicava os Textos de Guerrilha. Eis uma boa colheita de Sábado na Rua do Anchieta: bons livros, a bom preço, da mão de experientes alfarrabistas (Paulo da Costa Domingos e João Carlos Miguel).

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Penguin by Designers

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Título
Penguin by Designers

Design
David Pearson

Edição
Penguin Collectors’ Society, 2007
176 páginas

Descrição
Ostentando a mais famosa grelha da história do design editorial, criada por Romek Marber em 1961 para a série de Crime da Penguin e que depois serviu de modelo a quase todo o catálogo da editora, a capa deste volume imprescindível “trai” logo o contexto histórico do seu conteúdo: dos anos pós-Tschichold, sob comando do “herdeiro” Hans Schmoller nos anos 50, à ultra-criativa fase contemporânea, que coincidiu com os 70 anos da empresa.

Tratando-se, basicamente, da transcrição das intervenções dos designers e directores artísticos em funções ao longo desses anos, reunidos na tarde de 18 de Junho de 2005 no Victoria & Albert Museum (no contexto da exposição que esse museu dedicou ao aniversário da editora), o livro depende exclusivamente da qualidade dessas exposições. Como seria de esperar, a qualidade é bem alta. Com a excepção de Germano Facetti (que não esteve presente na sessão, e de quem se publica um texto “programático” sobre o design de paperbacks publicado na revista Dot Zero em 1967), John Miles, Romek Marber, Jerry Cinamon, Derek Birdsall, David Pelham e o actual director de arte Jim Stoddart sucedem-se por ordem “cronológica” e o que resulta é o complemento perfeito (porque vindo de quem amassou o pão) ao livro cujo título serviu de referência a este, Penguin by Design do designer e historiador Phil Baines (que escreve aqui as pequenas introduções às intervenções). Junto com o livro de Baines, esta colectânea representa uma visão completa e abrangente, ainda que incontestavelmente subjectiva e passional, da história gráfica da Penguin.

É difícil destacar uma ou outra apresentação das demais, dado que parece até ter havido o objectivo de uma certa complementaridade (por exemplo, as intervenções de Miles e Cinnamon são mais sobre o layout e as grelhas para os livros das edições comuns e especiais, sendo ambas de extraordinária utilidade no que à história da tecnologia do design diz respeito). Pessoalmente, há muito que admiro tudo o que vejo de Birdsall e Pelham desses anos, designers que conseguiram verdadeiras obras-primas de condensação icónica (e aqui também há complementaridade, na medida em que Birdsall era sobretudo um designer freelancer e Pelham o director de arte, e o último que Sir Lane contratou pessoalmente). É uma verdadeira delícia ler e ver o que este dois apresentam e há mesmo uma descoberta (para mim, pelo menos): a das capas da série de reedições da obra de Somerset Maugham, que Birdsall criou como uma longa e contínua fotografia em composição horizontal (Prova A). Isto só me deu mais vontade de comprar Notes on Book Design (assim que o preço, ou a libra, ou ambos, baixarem mais…)

Prova A
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Outro grande momento do livro é a apresentação de Marber: a odisseia da criação de dezenas de capas para a colecção de Crime em poucas semanas dá-nos a perfeita justificação para a necessidade da sua famosa grelha e obriga-nos a uma intensa inveja e admiração…

Como em tudo, as ausências falam quase tão alto como as presenças, e aqui notamos duas importantes: a de Alan Aldridge (cuja entrada e saída da Penguin se rodearam sempre de polémica, e que tentou aproximar a editora aos caminhos da pop nesses anos de 66-69) e de alguém que viesse falar dos “famigerados” anos 80. Uma e outra ausência compreendem-se (mas, no caso de Aldridge, lamenta-se, pois foi ainda assim o criador de capas excelentes e teria coisas interessantíssimas a dizer), sobretudo a da fase negra após a saída de Pelham em 1980, em que a Penguin se perdeu no desejo de se impor graficamente nos EUA, deixando-se contaminar pelo que de pior se fazia (e se faz ainda) dum e doutro lado do Atlântico (o que outras ediroras aproveitaram e agradeceram, como a Faber, que dominou os escaparates nesses anos com as fabulosas capas de Andrzej Klimowski e a direcção de John McConnell). Quem ler o livro de Baines não estranha essa ausência, e as palavras de Pelham não sao meigas…

Stoddart termina com um sentido de missão cumprida (mas com esforço, o que certas indirectas denotam…), e é notório o orgulho com a espantosa exibição de talento que foi o pack especial dos 70 anos, em que a Penguin mostrou à evidência uma quase infalibilidade na atribuição da capa de um qualquer título a um designer ou ilustrador. Tudo resulta por ali, e muito do porquê está neste livrinho.

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