Amesterdão, 1971

Se se metessem numa máquina do tempo e apontassem a um período de “ouro” da Europa do pós-II Guerra Mundial, poderiam dar por vocês ao fundo destas escadas, no Stedelijk de Amesterdão, a olhar para cima, onde veriam (como se vê na foto deste volume) um painel de Raúl Martinez. Isto significaria que teriam ido parar a 1971, quando, de 7 de Maio a 6 de Junho, o museu exibiu a primeira grande mostra mundial de cartazes cubanos (no verso da capa pode ver-se uma foto que mostra o impacto dos enormes cartazes tipográficos de Olivio Martinez Viera numa das salas do museu durante essa exposição). Com design quase “invisível” de Wim Crouwel, prova de impermeável racionalismo suíço (espartano mesmo), este pequeno livro (publicado por ocasião da Europalia ’71) é o registo de uma década brilhante do Stedelijk, em que o museu holandês se tornou referência nos meios da arte contemporânea pelo seu rigor e, ao mesmo tempo, pela sua abrangência, albergando uma colecção imponente de cartazes, sendo a exposição dos cubanos um inesperado e triunfante coelho tirado da cartola (aproveitando a mais que certa renitência do muito “oficial” MOMA de Nova Iorque, na grande exposição de cartazes de 1968, em mostrar coisas saídas de Cuba por aqueles anos). O catálogo desta exposição dos “cubaanse afiches” foi outro dos muitos que Crouwel concebeu para o museu a partir de 1962, quando herdou a “pasta” de Willem Sandberg, que fora o director e designer gráfico residente desde 1945.

Como exemplo desse trabalho para o museu, o catálogo da exposição de William Klein no Stedelijk em 1967 é uma prova do eclectismo da programação e da qualidade gráfica que Crouwel garantiu. Num formato ligeiramente inferior ao A4, com 24 páginas agrafadas, a obra polimorfa de Klein (fotografia, sobretudo, mas também ilustração, design gráfico e cinema: em 1966, saíra a sua primeira longa metragem, Who Are You, Polly Magoo?) é apresentada em generosas amostras num volume essencialmente visual e monocromático, com duas cores na capa (mesmo a biografia é tratada como uma sequência de ilustrações de Jean-Michel Folon). A capa é brilhante pela escolha de uma imagem que remete para as suas célebres capas tipográficas da série de livros sobre cidades e as capas que fez para a Domus, mas que se revela, ligando capa e contra-capa no mesmo olhar, uma simples foto no estúdio do artista.

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Filed under Cartazes, Livros

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